domingo, 14 de julho de 2013

Vento e Café

"Eu tinha esse pedaço de vento. Que me ensinou coisas. Ensinou-me a gostar de café sem açúcar. Que me fazia rir (e como fazia). Era um vento engraçado. E me ensinava coisas, mesmo sendo um vento tão jovem, quase uma brisa. Fazia tempo que não me via no papel de aluno. Isso me comoveu. Era um vento lindo (eu falo no passado, mas o vento ainda existe, por aí, solto, que é a condição primordial de qualquer vento). Tinha uns olhos, arre, que eu não sei (eu gosto muito dessa interjeição: arre). Não tem como explicar. Como é que a gente coloca em palavras um olho de vento? Não dá. Ele me ensinou coisas. Foram muitas coisas, acreditem. Eu não vou listar. Eu já falei do café lá em cima. Se bobear essa foi a única coisa que ele me ensinou e eu fico aqui, sendo exagerado. Pode ser. Talvez nem fosse um vento lá grandes coisas (negação, o primeiro estágio do modelo de Klüber-Ross). Claro que era. Seu cheiro estourava os meus tímpanos. Puro turbilhonamento sinestésico. Seus movimentos desastrados me colocavam no lugar. Totalmente sem querer, era um vento que me fazia querê-lo na minha cara pelo resto da vida. Mas ele achou uma fresta na janela e tratou de sair fora e ser vento em outras bandas. A gente até tenta manter o vento preso, mas é muito difícil fazer isso, é preciso uma tecnologia toda especial, cômodos hermeticamente fechados. Eu sou aberto, vento aqui bate e logo sai fora, voando doido. Depois fico aqui, com a janela aberta, esperando sei lá que coisa. Que vento. Que nada. Vento vadio. Eu fecho a janela. Friagem mata."

Mão que Auxiliam a menos de 10⁰ - Laura Flôres Poesia

Mais do mesmo, vai saber. Não, só mais pra agradecer. E o dia 24.06 foi desses dias. Seria impossível não relatar em uma crônica, poi...