>>> Carolina de Jesus ( 1914 - 1977)
É mesmo mais uma belíssima e surpreendente história!
Nascida em 1914, em Minas Gerais,
neta de escravos, filha de agricultores, e vivendo na zona rural, Carolina Maria de Jesus, abandou a
escola ( que ingressou por influencia de uma fazendeira rica de sua região) no
segundo ano, por já saber ler e escrever, passando a exercer sua escrita. Sua
infância foi repleta de dificuldades, agressões físicas e desafios diverrsos.
Negra retinta, foi a primeira escritora
negra do Brasil e viveu na favela do Canindé, SP após o falecimento de sua mãe, em Minas
Gerais.
Faleceu início de 1977, exatamente o
ano que eu nasci, e não chegou a ser conhecida e reconhecida pelo grande
público, tendo a maioria de suas obras como anônimas.
Sua obra mais conhecida, é O QUARTO DO DESPEJO, mas trago
aqui alguns de seus poemas, igualmente belos!
Agradeço a você, Carolina, pela sua coragem e persistência pela sua arte, pela
sua vida, tão sofrida e hoje, visualizo-a como tão cheia de significado!
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Quem assim me vê cantando
Pensará que sou feliz
Eu levo a vida pensando
No homem que não me quis
Ensinou-me a gostar dele
E disse: minh'alma pé sua
Quando viu que eu lhe amava
Mostrou-me a Porta da rua
Vai, vai-te embora e me deixa em paz
Vai, vai, e não volta nunca mais
Carolina de Jesus
DÁ-ME AS ROSAS
Carolina de Jesus
No campo em que eu repousar
Solitária e tenebrosa
Eu vos peço para adornar
O meu jazigo com as rosas
As flores são formosas
Aos olhos de um poeta
Dentre todas são as rosas
A minha flor predileta
Se a afeiçoares aos versos inocentes
Que deixo escritos aqui
E quiseres ofertar-me um presente
Dá-me as rosas que pedi.
Agradeço-lhe com fervor
Desde já o meu obrigado
Se me levares esta flor
No dia dos finados.
