Blog com ações de, Laura Flôres Inspirando Vidas, e. um pouco de sua história: Bailarina porta-voz da inclusão PcD/SC, artista. Livros e palestras *Desde 1996* Contatos: lauraflores.suave@gmail.com
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Com Licor #LauraFlores
Você
gostaria de ter um amor que fosse estável, divertido e fácil. O objeto
desse amor nem precisaria ser muito bonito, nem rico. Uma pessoa bacana,
que te adorasse e fosse parceira já estaria mais do que bom. Você quer
um amor assim. É pedir muito? Ora, você está sendo até modesto.O
problema é que todos imaginam um amor a seu modo, um amor cheio de
pré-requisitos. Ao analisar o currículo do candidato, alguns itens de
fábrica não podem faltar. O seu amor tem que gostar um pouco de cinema,
nem que seja pra assistir em casa, no DVD. E seria bom que gostasse dos
seus amigos. E precisa ter um emprego seguro. Bom humor, sim, bom humor
não pode faltar. Não é querer demais, é?
Ninguém está pedindo um piloto
de Fórmula 1 ou uma capa da Playboy. Basta um amor desses fabricados em
série, não pode ser tão impossível. Aí a vida bate à sua porta e
entrega um amor que não tem nada a ver com o que você queria. Será que
se enganou de endereço? Não. Está tudo certinho, confira o protocolo.
Esse é o amor que lhe cabe. É seu. Se não gostar, pode colocar no lixo,
pode passar adiante, faça o que quiser. A entrega está feita, assine
aqui, adeus.E agora está você aí, com esse amor que não estava
nos planos. Um amor que não é a sua cara, que não lembra em nada o amor
solicitado. E, por isso mesmo, um amor que deixa você em pânico e em
êxtase. Tudo diferente do que você um dia supôs, um amor que te perturba
e te exige, que não aceita as regras que você estipulou. Um amor que a
cada manhã faz você pensar que de hoje não passa, mas a noite chega e
esse amor perdura, um amor movido por discussões que você não esperava
enfrentar e por beijos para os quais nem imaginava ter tanto fôlego. Um
amor errado como aqueles que dizem que devemos aproveitar enquanto não
encontramos o certo, e o certo era aquele outro que você havia
encomendado, mas a vida, que é péssima em atender pedidos, lhe trouxe
esse e conforme-se, saboreie esse presente, esse suspense, esse
nonsense, esse amor que você desconfia que nem lhe pertence. Aquele amor
em formato de coração, amor com licor, amor de caixinha, não apareceu.
Olhe pra você vivendo esse amor a granel, esse amor escarcéu, não era
bem isso que você desejava, mas é o amor que lhe foi destinado, o amor
que começou por telefone, o amor que começou pela internet, que esbarrou
em você no elevador, o amor que era pra não vingar e virou compromisso,
olha você tendo que explicar o que não se explica, você nunca havia se
dado conta de que amor não se pede, não se especifica, não se
experimenta em loja – ah, este me serviu direitinho!
Aquele amor discretinho por você tão sonhado vai parar na porta de alguém para o qual um amor discretinho costuma ser desprezado, repare em como a vida é astuciosa. Assim são as entregas de amor, todas como se viessem num caminhão da sorte, uma promoção de domingo, um prêmio buzinando lá fora, mesmo você nunca tendo apostado. Aquele amor que você encomendou não veio, parabéns! Aproveite o que lhe foi entregue por sorteio."
#MARTHA MEDEIROS#
Aquele amor discretinho por você tão sonhado vai parar na porta de alguém para o qual um amor discretinho costuma ser desprezado, repare em como a vida é astuciosa. Assim são as entregas de amor, todas como se viessem num caminhão da sorte, uma promoção de domingo, um prêmio buzinando lá fora, mesmo você nunca tendo apostado. Aquele amor que você encomendou não veio, parabéns! Aproveite o que lhe foi entregue por sorteio."
#MARTHA MEDEIROS#
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Adoraria tê-la escrito
"VIAJANDÕES
Violência urbana nunca foi novidade. Aumentou, mas sempre existiu. Porém, até ela já teve dias mais românticos. Podemos quase sentir saudades de uma época em que os crimes eram protagonizados por uma turma que queria apenas enriquecer sem trabalhar, e para isso invadiam sua casa, levavam seu carro ou afanavam sua bolsa, mas sempre tendo a delicadeza de avisar antes: “Mãos ao alto, isso é um assalto”. Eles sabiam o que estavam fazendo. E uma vez com o objeto do desejo em mãos, iam embora apressados assim que ouviam as sirenes da polícia, não sem antes fazer uma mesura de despedida. Quase posso ver George Clooney no papel.Hoje os meliantes chegam agressivamente comunicando “Perdeu! Perdeu!”, a polícia não aparece e ninguém sabe direito o está fazendo: se antes éramos surpreendidos por um pessoal que, a seu modo, tentava evitar confusões desnecessárias, hoje nos atacam completamente chapados, alucinados e sem a menor condição de distinguir um assalto de um assassinato. Não se pode mais escolher entre a vida ou a bolsa: eles levam ambos.
A recomendação sempre foi a de não reagir. Eles têm uma arma, você não. Obedeça. Porém, até um tempo atrás, contávamos com um mínimo de discernimento a nosso favor. Quem te assaltava sabia que estava cometendo um crime, sabia que deveria agir rápido e fazer o menor estrago possível, sem chamar atenção. Havia esperança de eles serem minimamente lúcidos e fazerem um serviço limpo.
Hoje, o cara que te ataca pensa que é Jesus Cristo. Tem delírio de todos os tipos. Se você ousar piscar os olhos, ele poderá interpretar como um sinal feito para o carro da frente. Se você estiver de camiseta verde, isso pode ser considerado uma provocação, já que a grama também é verde, você por acaso o está mandando pastar? Em sua infinita doideira, nós é que somos a ameaça.
Não bastasse estarmos sem segurança nas ruas e a mercê de marginais que têm a maior facilidade para conseguir uma arma de fogo, ainda temos que lidar com essa outra arma invisível e ainda mais letal: o descontrole de seus atos. Se antes torcíamos para nunca sermos assaltados, atualmente torcemos para que, quando chegar a nossa vez, o criminoso esteja de cara, sóbrio, no seu juízo perfeito, totalmente capacitado para levar o que é nosso sem entrar em surto.
É mais uma inversão de comportamento que a violência provoca. Antes, morrer de causa natural era morrer de velhice. Hoje, natural é morrer de latrocínio. Cidadãos que trabalham e pagam impostos vivem em prisão domiciliar, atrás de grades. Você atende o telefone e alguém tenta lhe extorquir dinheiro através de um trote. Você não tem segurança para ir ao supermercado. Não tem segurança ao sair de uma igreja. Não tem segurança dentro da escola.
E agora essa: ainda temos que torcer para que o agressor, ao nos atacar, não tenha medo de nós."
Martha Medeiros
Por @FloreandoPorLaura
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